Hélder Gomes é o presidente e fundador dos KeMedo. Vive e trabalha no concelho de Valongo, é empresário e tem como paixão a corrida e o futebol.

A paixão pela corrida começou como um passatempo enquanto esperava que o treino de futebol do filho terminasse.

Os KeMedo formaram-se há quatro anos, na cidade de Valongo. Um concelho com excelentes condições para a prática da modalidade de trail. São constituídos por catorze mulheres, as KeMedo Pinks como são conhecidas e trinta e quatro homens, maioritariamente do concelho de Valongo e estão muito próximos de atingir os cinquenta elementos, onde grande parte são focados no trail.

Este ano deram um grande passo, conseguindo o estatuto de associação.

P.: O que define os KeMedo?

R.: Ser KeMedo é ser solidário. Estamos envolvidos em várias causas sociais, e tentamos aliar sempre o prazer de correr à ajuda ao próximo.

P.: Que vantagens têm os atletas em pertencer aos KeMedo?

R.: Os atletas que pertencem aos KeMedo recebem a t-shirt oficial e uma sweat. Têm também sessões gratuitas no ginásio Play e usufruem de descontos com outras empresas com as quais temos parceria.

P.: Os atletas têm algum tipo de apoio a nível de treino, nutrição ou fisioterapia?

R.: A nível de treino temos o apoio do ginásio Play e temos também uma promoção especial com a fisioterapeuta Margarida Alfena.

P.: Têm como hábito fazer/marcar treinos ou provas em conjunto?

R.: Fazemos um treino em conjunto uma vez por semana (alternando entre segundas e quartas-feiras à noite) aberto também à comunidade, onde é designado por “Correr pela Cidade” onde já realizamos mais de 80 treinos.

Cada atleta tem liberdade para escolher as provas em que quer participar, tentamos estar presente com maior número de atletas nos trails do concelho.

P.: Quais são as maiores dificuldades que a direcção enfrenta?

R.: Neste momento o nosso maior desafio é a passagem do grupo a uma associação, todas as mudanças que temos que fazer à estrutura organizacional bem como a criação de novos estatutos.

P.: Como é que angariam receitas para o projeto?

R.: Obtemos os nossos fundos através de patrocinadores e com ajuda no apoio ao TNV -Trail Noturno de Valongo.

P.: Já organizaram algum trail?

R.: Organizamos dois free trails ao longo do ano de caracter solidário, um no carnaval e outro no final de agosto. Neste dois trails as inscrições são gratuitas, no dia da prova os atletas dão um donativo consoante as suas possibilidades e 100% do dinheiro angariado vai para uma causa que estamos a adotar.

Nos free trails do carnaval optamos por ajudar instituições ou causas que por norma diferem de ano para ano. No free trail de agosto os donativos angariados vão sempre para os bombeiros voluntários de Valongo.

A equipa também ajuda na organização de um trail de cariz competitivo (TNV-Trail Nocturno de Valongo) em conjunto com o clube BTT de Valongo, que já conta com cinco edições.

Nestes 4 anos de existência organizamos dez free trails onde angariamos cerca de vinte e dois mil euros e onde foram entregues na totalidade as causas que apoiamos.

P.: No futuro, pretendem organizar outro tipo de eventos?

R.: Estamos a ponderar essa possibilidade, mas temos cinco trails em Valongo muito bem organizados e ao fazer que seja algo diferente dos eventos que já existem, não faz sentido nas nossas serras fazer o mesmo que os outros já fazem.  Contudo uma coisa é certa, iremos continuar a organizar os dois free trails anuais assim como o TNV.

P.: Qual é a sua opinião sobre as organizações de trail em Portugal?

R.: Hoje verificamos que a modalidade cresceu muito não só no número de praticantes, mas também num aumento exponencial de provas. Isso é bom, passou a haver mais opção de escolha e a maioria das provas são bem organizadas, mas acredito que algumas não consigam atingir os seus objectivos pelo número reduzido de atletas que participam e por consequência não conseguem gerar lucro, as despesas fixas são praticamente as mesmas quer se tenha quinhentos ou cem inscritos.

No meu ponto de vista quanto melhor as organizações tratarem os atletas mais inscrições terão.

P.: O que poderia ser diferente nas provas de trail?

R.: Deveria existir um maior rigor na aplicação dos regulamentos de cada prova e em muitas delas o tempo limite para acabar a prova deveria ser muito menor. Penso que assim teríamos atletas em melhor forma, haveria uma selecção natural. Há muitas pessoas a participar em determinadas distâncias sem a mínima preparação física para as mesmas.

P.: Quais as ambições futuras para o projeto KeMedo?

R.: Sem dúvida que o nosso futuro passa por continuar a abraçar causas solidárias, essa é a nossa essência, é isso que nos move.

“Ser KeMedo é ser Solidário”